- Lembre-se da natureza da entrevista.
A entrevista nada mais é que uma estratégia de comunicação pessoal realizada tendo como fim a informação. Trata-se de uma técnica para obtenção de informações através de perguntas. No caso da entrevista jornalística, o objetivo é levar informações para o público do veículo de comunicação: para leitores, ouvintes, telespectadores ou internautas.
Não perca de vista que, de imediato, você dá declarações para o jornalista, mas que através dele você estará atingindo um público muito mais abrangente, possivelmente bastante eclético.
Se você não for uma personalidade, dificilmente alguém vai querer te entrevistar por conta do seu belo par de olhos azuis. O que o jornalista quer de você são fatos e dados verídicos que possam servir de subsídios para elaboração dos textos.
- Saiba que nem sempre sua entrevista vai ser publicada como ping-pong.
Em alguns casos, pode ser que você vire notícia através de uma entrevista ping-pong, tipo pergunta e resposta, com transcrições de afirmações na íntegra. Neste tipo de entrevista os repórteres podem registrar até os seus risos e pausas. São realizadas usualmente com personalidades e pessoas que têm um conteúdo de destaque nas diversas áreas.
Porém, na maior parte das vezes, suas informações poderão ser publicadas dentro de uma matéria através de curtas citações entre aspas atribuídas a você, ou através de declarações textuais. Nestas declarações, os jornalistas usam recursos de expressão como: “segundo ele”, “para ele”, “ele afirma”, “de acordo com”, “ele diz que”, “para o gerente”, etc.
Conheço o caso de uma historiadora que, irritada, disse a um repórter de televisão: “eu passo para vocês um monte de informações e depois vocês divulgam como se vocês fossem as pessoas mais inteligentes do mundo e soubessem tudo que eu passei. Não quero mais dar entrevista”.
Bom, este aproveitamento de informações vai acontecer naturalmente. É da natureza do jornalismo. Esteja preparado para lidar com isso ou esqueça sua carreira como fonte.
- Tenha consciência de que dar entrevista traz consequências
Na entrevista, os efeitos de um passo em falso ou de um conjunto de declarações consistentes e oportunas é multiplicado pelo número de pessoas que tiverem acesso ao que você diz. Fique atento a esta realidade e seja cuidadoso, mas relaxe. Vale a pena.
Como disse Roosevelt, “é preferível arriscar-se, expondo a fracassos e vitórias do que formar fileiras com os pobres de espírito, que nem gozam muito nem sofrem muito e vivem na penumbra do ser”. Se lance na experiência de dar entrevista com muito entusiasmo, pois “quem não sobe nas altas montanhas não conhece a planície”, conforme afirmou Procópio Ferreira.
- Conheça as variáveis de entrevista quanto a entrevistados.
Em relação aos entrevistados, a entrevista pode ser individual, quando há uma única fonte dando informação por vez e de grupo, quando várias pessoas dão entrevista simultaneamente. Um exemplo do segundo tipo ocorre quando os integrantes de uma banda ou os diretores de um sindicato são entrevistados no mesmo momento.
A entrevista também pode ser no estilo de enquete: quando são entrevistadas muitas pessoas na sequência, sempre a partir das mesmas perguntas. Neste caso, importa a quantidade de entrevistados.
Na TV, é muito comum a enquete denominada “o povo fala”. Quando há esta indicação, o repórter costuma ir para um local de grande circulação, como uma saída de rodoviária ou de um grande shopping, que esteja no caminho para a próxima matéria. Lá procura abordar várias pessoas que passam em curto espaço de tempo.
Na emissora, haverá uma edição para selecionar as melhores declarações. No ar, os entrevistados escolhidos aparecerão em poucos segundos, identificados por nome e profissão.
- Sempre que possível, dê entrevistas pessoalmente.
Por conta do acúmulo de trabalho nas redações, com equipes cada vez mais enxutas e profissionais desenvolvendo um número crescente de matérias, os deslocamentos de repórteres de jornais e revistas para realizar entrevistas para veículos impressos pessoalmente são cada vez menos frequentes. Por isso, muitas entrevistas são feitas através do telefone e não estranhe: alguns repórteres propõem entrevistas por e-mail e até por fax quando a questão é economizar tempo e salvar a pauta.
Por telefone, há a grande desvantagem que de que você não tem como medir o interesse do repórter em relação ao que você está dizendo. Além disso, você fica sem saber se está escrevendo em um ritmo que possibilite a ele anotar. Consequentemente, muitas informações podem ser perdidas.
Por outro lado, através de fax e Internet a entrevista tem credibilidade discutível e suspeita, já que o repórter nunca terá a certeza de que foi você mesmo quem respondeu. Além do mais, não há a riqueza da interação do jornalista para fazer novas perguntas a partir de suas respostas.
Desse modo, se você tiver opção, sempre prefira um encontro pessoalmente, para dar informações olho-no-olho.
PREPARA-SE PARA A ENTREVISTA
- Informe-se sobre o tema e proposta de pauta.
Toda entrevista tem por trás uma pauta, que é uma espécie de plano de voo da equipe de reportagem. A pauta é uma proposta de elaboração de uma matéria, um conjunto de ideias e informações que orienta a produção de uma reportagem. É o documento do veículo que apresenta orientações claras de como o repórter deve proceder na apuração da matéria.
Contém também dados, linha de abordagem e até algumas sugestões de questões a serem feitas pelo repórter, além da relação de todas as fontes de informação que devem ser entrevistadas. Esse material, por ser de caráter interno, nunca deve ser mostrado ao entrevistado. Portanto, nem em sonho peça ao jornalista para dar uma olhadinha.
O que você pode fazer é perguntar sobre a linha da matéria, quais fontes serão ouvidas, o que ele espera de informação com a entrevista e o que ele pretende mostrar com a pauta.
- Reúna subsídios que possam enriquecer a entrevista.
Você deve se abastecer com o maior número possível de dados que possam subsidiar o trabalho dos jornalistas. Por isso, informe-se e junte exemplos, resultados de pesquisas e outros subsídios. Consiga também materiais de apoio como tabelas, gráficos e ilustrações.
É importante deixar à mão fotos de divulgação para caso sejam solicitadas pelo repórter. Você também pode disponibilizar aquelas publicações jornalísticas da organização que são dirigidas a públicos externos.
Porém, não entregue aos repórteres folders e outros impressos que não venham a fornecer informações que possam contribuir com a apuração. Eles não ficam felizes em receber uma papelada inútil que vai diretamente para o lixo horas depois.
Não perca de vista os dados fundamentais, que estrategicamente são importantes para você tentar abordar. Do mesmo modo, simule antes pontos delicados e formule respostas eficazes. Você deve ainda levantar aspectos favoráveis.
Além disso, procure informações sobre o jornalista e veículo, assistindo o programa ou lendo a publicação. No caso de televisão, observe como o apresentador reage aos entrevistados. Não esqueça de levar cartão para informar a grafia exata do seu nome.
- Como executivo você vai falar em nome da empresa.
Se você ocupa um cargo de direção ou de gerência, muito possivelmente vai ser convidado a dar entrevista por conta desta função e não deve esquecer nunca que estará falando em nome da empresa.
Alguns quando passam a ser considerados fontes de informação são picados pela mosca azul do sucesso, passam a se achar pessoas VIP (very important person) e disparam a dar declarações pessoais.
Lembre-se de que os cantores famosos e outras celebridades falam de tudo a todo o momento, mas que este pode não ser seu caso.
