06/03/2026

As bases para boas relações com a imprensa

Por Tássia Catarina Guimarães

1)    Alimente um fluxo assíduo de relacionamento com a imprensa.

Não é adequado estabelecer contatos com os jornalistas apenas uma vez por ano, quando houver uma informação conveniente para sua empresa. A melhor estratégia é a frequência e periodicidade, mantendo vivo o fluxo de informações. Se você for uma fonte de informação que gera constantemente dados importantes e faz contatos produtivos, quando você precisar divulgar uma informação que seja de extremo interesse da sua corporação, o relacionamento já estará estabelecido.

Muitas faculdades, por exemplo, caem na tentação deste pecado e se relacionam com os jornalistas apenas no crucial período de inscrições para o processo seletivo. Embora todos saibam que com a expansão do ensino superior o tradicional vestibular já não convence tanto como apelo de notícia, ainda assim, choram as amarguras por não terem um feed back da imprensa à altura de suas metas de inscritos.

Para estas instituições, o ideal seria que, ao invés de nutrir expectativas irreais em época de cadastro de candidatos, mantivessem estratégias consistentes de relações com a imprensa durante todo o ano. Não raras vezes, uma ação aparentemente simples em um dos cursos da faculdade gera um interesse incomparavelmente maior da imprensa.

2)     Mantenha um contato pessoal e amigável com os jornalistas.

As relações com a imprensa não implicam apenas no envio de materiais impressos. A comunicação que se dá apenas por faxes e envelopes timbrados contendo textos impressos para dezenas de jornalistas se torna impessoal.

O relacionamento com os profissionais de imprensa precisa incluir, em algum momento, uma ligação telefônica e visita. É claro que você deve usar esta tática com muito juízo e nestas ocasiões deve ter um bom contato em termos pessoais. É preferível que as pessoas respeitem o seu trabalho do que gostem de você, mas se respeitarem e gostarem, você estará no melhor dos mundos.

3)    Tenha sinceridade e fale a verdade sempre.

Parece um conselho sobre algo evidente, mas não custa lembrar, já que uma das características principais de uma fonte de informação para a imprensa é exatamente a credibilidade. Mentira tem o pé quase colado na barriga. Se uma fonte fizer uso de uma calúnia, inevitavelmente, em algum momento, o jornalista vai descobrir que mentiu. E aí, amigo, a imagem do mentiroso estará detonada.

As relações com a imprensa se baseiam na sinceridade e confiança mútua. Se não existir franqueza não tem como haver confiança.Você deve ser honesto em admitir que não sabe, em anunciar que não conseguirá confirmar a entrevista, em afirmar que não tem acesso à informação, ou seja, lá o que for. Outra coisa: se disser que vai dar a um jornalista uma notícia “exclusiva”, não volte atrás no meio do trajeto. Confiança tem como alicerce o histórico de atitudes e a imagem construída.

4)     Seja correto, justo e cooperativo com os jornalistas.

Você deve ser imparcial no atendimento à imprensa, tratando todos os jornalistas sem distinção. Um profissional que está começando hoje a carreira como estagiário de um pequeno jornal amanhã pode ser um apresentador importante de programa de televisão ou editor de uma seção estratégica para sua organização. Cada veículo tem seu público e um informativo de uma entidade de classe também atinge uma faixa de leitores importantes.

Também procure ser cooperativo com os jornalistas. É importante se disponibilizar para ajudar a imprensa no seu trabalho. Aja na perspectiva de que jornalistas também são “clientes”.

Sempre pesquise as informações antes do contato com a imprensa para ser preciso nos dados divulgados. Se o número exato for 1700, você não pode dizer 1800. Ou diga mais de 1500 ou diga o número exato.

Lembre-se de que você deve ter um histórico de credibilidade com a imprensa e de que isso é construído em longo prazo. Um passo em falso pode colocar tudo a perder.

5) Não confunda matéria com informe publicitário.

Informe publicitário é pago. Matéria é espaço editorial conquistado. Há a possibilidade de você fazer um informe publicitário: basta pagar o valor correspondente ao espaço pretendido pela tabela comercial do veículo. Porém, o leitor vai saber imediatamente ao ler que se trata de espaço comprado, pois leva a inscrição de “informe publicitário”. Por outro lado, se você está dando informações para uma matéria, esqueça! Não tem nenhuma chance de ter controle sobre a publicação.

Você pode pedir ao jornalista que trabalha na sua assessoria de imprensa para lhe mostrar um press release antes de ser enviado para a imprensa, mas o jornalista do veículo de comunicação não é seu assessor. Se você fizer alguma tentativa neste sentido, poderá ganhar um inimigo. Entenda que é você que está a serviço da imprensa, fornecendo informações que servirão de subsídio para a elaboração de matérias, e não o contrário.

Tenha clareza de que anunciar não dá direito a matérias. Para isso, existe um departamento comercial nos veículos. Também nunca pergunte a um jornalista sobre anúncios, pois corre o risco de ele achar que você quer comprar a imparcialidade dele.

Além disso, nunca diga que vai entrar em contato com o chefe do jornalista para que isso não soe como pressão. Evite inclusive perguntar por seu amigo que ocupa o cargo de editor ou diretor de redação.

 

Tássia Catarina Guimarães é jornalista e mestre em Comunicação e Culturas Contemporâneas e jornalista pela UFBA. Autora do livro “Comunicação com a imprensa, na boa: como se tornar boa fonte de informações para os jornalistas e a sociedade”, publicado pela Editora Edicta/Soleto, de São Paulo. É CEO da Cibermídia Comunicação Marketing e consultora de gestão de comunicação de crise. É professora universitária e media trainer, desde 1996.

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